Sul de Palhoça. Emancipar ou não?

Palhoça perderá muitos mais do que em extensão territorial

Especialistas falam da perda cultural e no setor turístico, uma vez que a região Sul é referência em belezas naturais e no turismo de praias

Carol Ramos
@carolramos_ND
PALHOÇA
Arte de Rogério Moreira Júnior/ND

Como era o território de Palhoça (parte mais clara), como é hoje e o que pode ainda perder (listrado)

Desde que o prefeito Ronério Heiderscheidt voltou a encampar a ideia de desmembrar a região Sul de Palhoça para a criação de outro município, populares, representantes políticos e entidades de classe avaliam e discutem os efeitos da mudança. A proposta é encabeçada na Alesc (Assembleia Legislativa de Santa Catarina) pela deputada Dirce Heiderscheidt, que aguarda consulta de viabilidade jurídica para proceder com os trâmites legais, na qual a realização de um plebiscito será uma das exigências.

Caso o projeto de lei seja aprovado na Câmara de Vereadores e a proposta dos peemedebistas concretizada, esta será a quinta vez em que Palhoça cederá território para a criação de outras cidades. A cidade, que no mês de março completou 117 anos, perderia também aproximadamente 30 mil moradores e deixaria de acumular cerca de R$ __ mil em IPTU (Imposto Territorial e Predial Urbano).

A historiadora e especialista em Políticas Públicas, Josane Fernanda Lisboa Chinkevicz, observa o impacto da mudança além do panorama político, mas sob o aspecto cultural. Comunidades como Praia de Fora, Ponta do Papagaio, Praia do Sonho, Guarda do Embaú e Pinheira perderiam suas identidades com o passado.

“É muito fácil falar em desmembramento e esquecer a história. A identidade do povo palhocense está ligada a sua origem desde a época dos grupos indígenas do litoral, na formação dos vilarejos, as antigas palhoças”, destaca.  A historiadora lembra ainda que “se perderá muito, por muito pouco, pois Palhoça é um dos municípios que mais cresce no Brasil e tende a crescer ainda mais, mas sem precisar destruir a herança cultural”, diz Josane.

Impacto no turismo de praias

A vocação da região Sul de Palhoça é predominantemente de turismo de Verão, com destaques para os bares, restaurantes e pousadas, localizados ao longo das praias. De acordo com a presidente da CDL (Câmara de Dirigentes Lojistas) de Palhoça, Maria de Lurdes Rosa, o impacto no comércio não será significante, mas a cidade deixará de ser referência no setor turístico. “Temos lá cerca de 80 associados, pois a região tem pouco comércio. Mas, acredito que a maior perda seria no turismo, pois perderíamos as nossas praias”, opina.

O secretário de Desenvolvimento Regional da Ponte do Imaruim, Turismo, Esporte e Lazer, João Carlos Amandio, enfatiza os benefícios proporcionados à região Sul, uma vez que a distância de 30 km até o Centro da cidade é o maior empecilho na administração. “Criado o município, ele vai se desenvolver por conta própria. Acho que não será aprovado, mas temos de arranjar um jeito de se desenvolver o Sul”, destaca. De acordo com Amandio, “uma das alternativas é verticalizar os imóveis, para que os empresários da construção civil possam investir mais, a exemplo de Itapema e Balneário Camboriú. Já estamos com lei tramitando na Câmara”, antecipa.

Saiba mais

Em 1922, Palhoça cedeu território para os municípios de Alfredo Wagner e Ituporanga

Em 1958 para a emancipação de Santo Amaro da Imperatriz

Em 1961, Palhoça desmembrou território para a criação das cidades de Garopaba e Paulo Lopes

A última alteração foi em 1962, para a denominação do município de São Bonifácio.

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