Secretário faz balanço das ações da Secretaria de Indústria e Comércio

Secretário faz balanço das ações da Secretaria de Indústria e Comércio

13/12/2012 12:48:36

Josué da Silva Mattos falou de avanços do setor, destacou postura de atração de investimentos e traçou perspectivas para a área

Entrevista: Francisco Dantas
O jornal Palhocense entrevistou nesta edição o Secretário de Indústria, Comércio e Serviços, Josué da Silva Mattos, que fez um balanço das ações da pasta nos últimos oito anos, período em que ficou à frente da Secretaria na gestão do prefeito Ronério Heiderscheidt. Mattos destacou os avanços nos dois mandatos, falou sobre a base criada para que houvesse a atração de investimentos e traçou perspectivas para as áreas. A previsão do Secretário é de que o orçamento da Prefeitura, em 2014, seja de R$ 600 milhões. Acompanhe a conversa.

Jornal Palhocense – As áreas de Indústria, Comércio e Serviços foram umas das que mais cresceram nos últimos anos em Palhoça. Que balanço o senhor faz das ações da Secretaria de 2005 a 2012?
Josué da Silva Mattos – Nós assumimos a Prefeitura em 2005, com o objetivo de transformar o Município no maior polo empresarial do Estado. Saímos de uma cidade-dormitório para uma cidade empresarial. Com esse foco, abraçamos essa meta, com o prefeito Ronério, e fomos em busca disso. Com certeza, a gente conseguiu este objetivo. De 2005 a 2008, a gente preparou, criando as leis de incentivo, criamos oito áreas empresariais, atraindo grandes empresas para o Município de Palhoça. Com esse objetivo, foi que a cidade realmente se transformou, sendo reconhecida por revistas nacionais, pelo SEBRAE, por todos os segmentos do Estado, por todas as ferramentas que fazem essa avaliação, como o Município que mais cresceu no lado empresarial (comércio, indústria e prestação de serviços). O crescimento foi altamente positivo. Nós saímos de um orçamento de R$ 46 milhões para R$ 400 milhões, em 2012, com previsão para 2014 de R$ 600 milhões. Com isso, veio a geração de emprego, conseguimos atrair mais de seis mil novas empresas, mais de 1.800 novos micro-empreendedores individuais (MICs), mais de 18 mil novos empregos, e fizemos com que o palhocense que trabalhava em São José, em Biguaçu e em Florianópolis viesse trabalhar e ficasse trabalhando em Palhoça, diminuindo o transporte para ele se deslocar para outros municípios. Nós conseguimos trazer grandes empresas, por exemplo, o Centro de Distribuição da AmBev, umas das primeiras de médio/grande que foram implantadas, depois veio uma sequência de muitas outras, como o Centro de Distribuição Imperatriz, sediado no Aririú, com mais de 400 funcionários.
Jornal Palhocense – O senhor citou as leis de incentivo. Como houve essa preparação para que as empresas pudessem vir?
Josué Mattos – Nós criamos o Prodep [Programa de Desenvolvimento de Palhoça], que é a lei que incentiva as empresas a se estabelecer em Palhoça, dando incentivo naquilo que é de competência do Município, chegando a reduzir em até 80% os impostos. Aí criamos o Polo de Informática, a lei de inovação na área tecnológica, onde está sediado hoje o Parque de Tecnologia e Incubação no bairro Pedra Branca, foi mais uma lei que nós criamos. Depois veio a Lei do Solo Criado, para dar um incentivo também na área da Construção Civil, que trouxe um atrativo bem interessante, fazendo com que as empresas tivessem alguns benefícios nesse sentido e que o Município não perdesse receita. Então, nós não isentamos, a gente reduziu alguns impostos, algumas taxas que eram de competência municipal e assim atraímos novos investimentos para o Município.
Jornal Palhocense – Muitas outras cidades, e até mesmo Santa Catarina e o Brasil, buscam crescer e ter cada vez mais investimentos. Palhoça se destacou no crescimento da economia nos últimos anos. Quais ações foram decisivas para esse avanço? Há algum segredo, alguma “receita” que possa ser seguida?
Josué Mattos – Não é uma questão de segredo, é uma questão de gestão pública, atender dignamente à classe empresarial. Porque o empresário precisa ser atendido, ouvido, para ter a confiabilidade para investir no Município. Com o prefeito Ronério foi isso, ele fez do seu gabinete um escritório também para atender ao empresário, que se sentiu confiante na atual gestão e investiu realmente em Palhoça, porque o Município abriu as portas para ele chegar aqui, ter seus problemas resolvidos, como questões de licença, viabilidade, facilidades principalmente em documentos. Muitas coisas se amarram na liberação, de alvará de construção, essas coisas. Não foi feito nada fora da lei, o que foi feito foi agilizar os processos, que em alguns casos levam dois a três anos e que nós liberamos em 30 a 40 dias. Hoje, para registrar uma empresa, são 24 horas, então, coisas que foram se modernizando e se adequando à realidade de Palhoça e, nesse sentido, serviu de exemplo para outros municípios e até para o estado inteiro. Uma parceria importante que nós fizemos foi com o SEBRAE, nos ajudou em muito, em várias questões. A CDL e a Acip também foram parceiros buscando esse desenvolvimento empresarial do Município.
Jornal Palhocense – O senhor poderia dar um panorama da situação atual da área de Indústria e Comércio na Cidade?
Josué Mattos – A partir de 2005, nós conseguimos atrair para Palhoça mais de seis mil empresas, nós tivemos mais de R$ 10 milhões de investimentos da iniciativa privada e do setor público nesse período, aumentamos muito o orçamento. Isso faz com que todas as ações do Município possam ter mais recursos, para a Saúde, para a Educação, para o Social, pois são verbas que estão vindo para Palhoça e deixaram de estar em outros locais até do Brasil e deu oportunidade para que a gestão do prefeito fosse de resultado. Eu vejo que tudo isso vai muito do empreendedorismo, da visão empresarial que se coloca dentro do setor público.
Jornal Palhocense – Diante da indefinição quanto ao próximo prefeito de Palhoça, o atual Chefe do Executivo, Ronério Heiderscheidt, chegou a comentar que a situação de espera do novo administrador está atrapalhando a vinda de novos investimentos. Como o senhor avalia essa questão, como está o trabalho da Secretaria neste último mês de gestão?
Josué Mattos – Eu vejo que isso é muito ruim para o Município de Palhoça, porque nós deveríamos estar com um governo de transição e não se sabe quem vai gerenciar a Cidade, isso não só para a classe empresarial, mas para todos os munícipes é ruim. Gera uma insegurança total, pois não se sabe quem será o próximo gestor. Nós esperamos que seja uma pessoa dinâmica, que possa também dar sequência nos projetos que estão em andamento e implantar novos, porque o Município não pode parar. Eu sempre digo: o futuro gestor tem que se preocupar com os projetos macro, que é a mobilidade urbana, o transporte marítimo, projetos que precisam de solução. O empresário precisa ir e vir, como também os seus fornecedores, os seus funcionários, é uma questão logística. Porque o Município, nos oito anos, se preparou para se tornar o maior polo empresarial do Estado e, para isso, precisou buscar recursos, que vieram da parceria com a classe empresarial. Sem os empresários, Palhoça seria realmente a cidade que era, dormitório. Doravante, o Município sempre será de franco crescimento, mas precisa dar continuidade. Eu vejo que o novo gestor, repito, tem que ser uma pessoa com visão de investir nos grandes projetos.
Jornal Palhocense – Palhoça ainda tem fôlego para continuar crescendo nos próximos quatro anos?
Josué Mattos – A Cidade está em franco crescimento, ainda irá crescer muito, mas é claro que depende da visão de quem está gerenciando o Município, mas tem fôlego suficiente, tem uma vocação para crescer muito, porque os empresários acreditam na Cidade, a população acreditou no Município. Palhoça saiu daquele negativismo para o lado positivo, veio a confiabilidade de investir e comprar em Palhoça. Hoje a maioria das pessoas não vai mais a Florianópolis e a São José para comprar, ficam aqui, pois tem de tudo. Hoje nós temos do pequeno ao grande comerciante, do varejo ao atacado, distribuidores, estão tudo aqui. Hoje temos vida própria. Nos últimos oito anos o Município se preparou para um grande desenvolvimento empresarial e, agora, precisa se consolidar daqui pra frente, e isso ainda precisa de muitos anos, não são só em quatro, ainda vai muito tempo, para consolidar Palhoça com toda a infraestrutura que ainda precisa ser feita, inovações, entre outras. Eu vejo que tudo isso aí não para, tem que trabalhar 24 horas por dia.
Jornal Palhocense – Mesmo sem a definição do novo Chefe do Executivo, o prefeito Ronério criou uma equipe de transição. Como estão os trabalhos nesse sentido na Secretaria de Indústria, Comércio e Serviços?
Josué Mattos – Nós estamos fazendo todo o levantamento, mas não sabemos para quem vamos entregar ainda. Vamos aguardar a equipe de transição, porque não temos um futuro governo anunciado. Isso a gente lamenta, porque o que nós gostaríamos mesmo era já estar entregando tudo o que está planejado para os próximos anos, para a futura gestão. O material já está preparado, praticamente pronto, só aguardando para quem entregar.

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